terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sem encanto

Em mais uma apresentação melancólica, a seleção brasileira ganhou da Bósnia por 2x1, graças a um lance fortuito no finalzinho do jogo, quando o normalmente apático Ganso demonstrou uma disposição surpreendente, levantando-se e batendo com agilidade uma falta sofrida na intermediária adversária. A bola chegou no sempre – e apenas – voluntarioso Hulk, que bateu para o meio da área, encontrando um salvador pé bósnio para botar a bola contra as próprias redes.

Destaques, só negativos. Júlio César – como sempre –, Hernanes, Ronaldinho Gaúcho, Leandro Damião e David Luiz foram os piores de um time medíocre. Este último passou o jogo inteiro perseguindo, sem sucesso, o grandalhão Dzeko, seu adversário na liga inglesa (Chelsea x Manchester City).       

Já faz muito tempo que jogo da seleção não desperta o interesse de outrora. Mas há sempre a esperança – cada vez mais tênue – que nosso futebol resgate a magia vista pela última vez no início dos anos 80, apesar de termos ganho duas copas de lá pra cá.

Atualmente, o Brasil está bem abaixo de seleções como Alemanha e Espanha. Temos alguns grandes jogadores, claro. Ninguém pode negar a categoria de um Neymar ou de um Thiago Silva. Mas ainda é muito pouco para um grupo que daqui a dois anos terá a enorme responsabilidade – quase uma obrigação – de ganhar a copa em casa. Ainda mais com um treinador burocrático como Mano Menezes.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Final Fantástica

O primeiro Grand Slam de 2012 vai mesmo entrar para a história. Sábado, na final feminina, vimos uma acachapante vitória da bielo-russa sobre a bela russa. O primeiro sorriso que Sharapova deu ao longo dessas duas semanas foi na cerimônia de premiação, ao reconhecer a superioridade de Azarenka.
Mas o show estava guardado mesmo para o dia seguinte, na final masculina. Ao longo de quase seis horas de jogo, Rafa e Nole brindaram os amantes do tênis com um jogo inesquecível. Desde o início eu estava com a sensação de que a vitória seria do espanhol, que já não agüenta mais apanhar do sérvio. Djokovic vinha detonado fisicamente, pois a semifinal contra Murray – outro jogo de cinco sets – fora extremamente desgastante. Mas não deu para o touro miúra, numa repetição do que ocorreu ao longo de 2011, quando o sérvio arrancou do terceiro lugar no ranking da ATP para reinar soberano, ganhando quase tudo o que apareceu pela frente.
Apesar de ter sido a final mais longa da história, o jogo parecia que iria durar muito mais, pois o equilíbrio era imenso. O regulamento de três dos quatro torneios de grand slam – exceção para o aberto dos Estados Unidos – determina que não haja tie-break no quinto set, o que pode prolongar indefinidamente uma partida. Esportes que não tenham um tempo definido estão sujeitos a isso, como o vôlei, por exemplo, o que gera um problema quase incontornável para a grade de programação das emissoras de TV, dada a imprevisibilidade que gera distorções como o jogo entre o gigante americano John Isner e o francês Nicolas Mahut – Wimbledon 2010 – que durou intermináveis 11 horas, divididas em três dias de disputa. O set final teve o insólito resultado de 70 x 68 para Isner, ou seja, um set com 138 games. Obviamente, o estado físico de Isner foi o principal responsável pela rápida derrota na segunda rodada do torneio, já no dia seguinte.
Por falar em TV, que espetáculo a transmissão em HD do torneio! Diversas imagens invisíveis à transmissão convencional ganham uma riqueza de detalhes incrível, como as gotas de chuva que começaram a cair durante a final na Austrália ou o pó que saía da bolinha a cada pancada na raquete, sem contar o super-slow mostrando o esforço de cada tenista na busca das bolas mais difíceis... 
Por medida de economia, os torneios masculinos poderiam começar já da semifinal, pois os quatro que sobram são sempre os mesmos. Murray está no ápice de sua forma, por pouco não venceu Djoko, mas parece destinado a eterno coadjuvante num esporte em que as estrelas são Nadal, Djokovic e – por enquanto – Federer. O tenista que mais poderia ameaçar esse quarteto fantástico seria o argentino Del Potro, que inclusive já derrotou o suíço na final do US Open de 2009, mas que de lá pra cá vem sofrendo com seguidas contusões.
Já no feminino, há diversas jogadoras mais ou menos no mesmo nível, dificultando qualquer prognóstico. Meu palpite era que a vencedora sairia do confronto entre Na Li e Clijsters, ainda nas oitavas. A belga acabaria perdendo na semifinal para a campeã Azarenka, num jogo duríssimo. Certeza, só uma: que a então número um, a bela dinamarquesa Wozniacki, há vários meses na liderança do ranking mesmo sem nunca ter vencido um dos quatro maiores torneios, seria campeã.
Para você se programar, os outros três grandes torneios do ano – Roland Garros, Wimbledon e US Open – ocorrerão em maio, junho e agosto, respectivamente. 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Que dureza!


Ontem assisti boa parte do que é, hoje, o maior clássico do futebol mundial: Real Madrid x Barcelona. E o que vi me deixou assustado, em relação ao que espera o Santos no mundial interclubes. O Real Madrid é um supertime, vinha embalado, líder disparado do campeonato espanhol. Cristiano Ronaldo está em grande fase e é a estrela maior do elenco mais caro do planeta, no qual também brilham Casillas, Özil, Xabi Alonso, Di Maria e Benzema. Para se ter uma idéia da qualidade do plantel galáctico, Khedira, Kaká e Higuaín esquentam banco no Bernabéu. 


Pois bem, o clube catalão simplesmente ignorou os merengues, ganhou de três e poderia ter feito cinco ou seis. Foi um passeio. E é isso que espera os meninos da vila, caso não tenhamos nenhuma surpresa no dia 14 de dezembro, quando Santos e Barça enfrentam os fracos Kashiwa Reysol e Al-Sadd, respectivamente.

O Santos pode ser campeão? Pode, mas se isso ocorrer, certamente será parecido com as últimas conquistas sulamericanas no torneio, ou seja, no sufoco.


Há exatos trinta anos, o Flamengo se impôs ante o Liverpool, enfiando 3x0 numa vitória incontestável. Não sou rubro-negro, mas aquele timaço de Zico, Junior, Adílio e Leandro era realmente espetacular. De lá pra cá, nunca vi uma vitória tranqüila de um clube brasileiro. E olha que já foram cinco conquistas: três do São Paulo, uma do Grêmio e outra do Internacional. Isso sem considerarmos o título meia-boca do Corínthians em 2000, que chegou lá mesmo sem ter conquistado a Libertadores.    


No esperado duelo Messi x Neymar, a estrela solitária do peixe certamente vai precisar de ajuda. E essa ajuda só pode vir de um talentoso meio-campista, que há meses vem devendo uma grande exibição: Paulo Henrique Ganso. Vamos torcer.