sábado, 3 de maio de 2014

Ayrton: 20 anos

Nos últimos dias, um dos assuntos mais comentados do país foi os vinte anos da morte de Ayrton Senna.

Às 14h17 do dia 1º. de maio de 1994, a quebra da barra de direção de sua Williams fez com que o tricampeão mundial de fórmula 1 passasse reto na velocíssima Curva Tamburello do Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, Itália, e se chocasse violentamente contra o muro de proteção, a 300 km/h. Transportado para um hospital em Bolonha, Senna morreria poucas horas depois.

Acabava ali a carreira do maior ídolo do esporte nacional em todos os tempos, superando inclusive Pelé, um atleta de maior expressão mundial. Até hoje Senna desperta mais paixão, por sua exposição na mídia e pelas circunstâncias de sua morte.

Não há meio termo quando se fala em Ayrton: a maioria o adora, e alguns o detestam, muito em função do seu desafeto, o também tricampeão mundial Nelson Piquet.

Talvez eu seja um dos poucos que não o considerem nem herói nem vilão. Senna foi um esportista excepcional, um dos maiores pilotos da história, gostava de associar sua imagem ao país – ao contrário do brasiliense Piquet – mas também foi protagonista de alguns episódios pouco abonadores. Ou seja, um ser humano com qualidades e defeitos. Dele pode-se dizer muita coisa, menos que foi medíocre. 

A seguir, um resumo da polêmica carreira de Senna, morto aos 34 anos: 
  • Iniciou sua carreira na Fórmula 1 em 1984, na pequena escuderia Toleman-Hart, passando a seguir pela Lotus, McLaren e Williams; 
  • Foi na McLaren que ganhou seus três títulos mundiais. Em 1988, seu primeiro ano na escuderia, ganhou o campeonato num ano de predomínio total da escuderia inglesa, que ganhou quinze das dezesseis provas da temporada, oito com Senna e sete com Prost. Na penúltima corrida do ano, Ayrton teve problemas na largada, caiu para 14º. mas, numa excepcional prova de recuperação, ganhou e foi campeão por antecipação. Nesse ano, Prost fez mais pontos que o brasileiro (105 x 94), mas o regulamento previa o “descarte” dos cinco piores resultados, invertendo o placar para 90 x 87 pró-Senna;
  • 1989 foi o marco da rivalidade Senna x Prost. O francês conquistou o título na polêmica corrida do Japão, após “fechar” o brasileiro, que tentava ultrapassá-lo. Os dois saíram da pista, mas Senna conseguiu voltar e vencer a prova. Prost, no entanto, gestionou junto ao chefão da FIA – Jean-Marie Balestre, seu compatriota – a desclassificação  de Ayrton, e foi campeão “no tapetão”.
  • Em 1990, o troco. E novamente no Japão. Com Prost na Ferrari, Senna largou com tudo e já na primeira curva os dois se embolaram, saíram da pista e Ayrton  conquistou o bi. O resultado da prova foi uma dobradinha da Benetton, com os brasileiros Piquet e Moreno em primeiro e segundo, respectivamente.
  • Em 1991 a Williams começou a se sobressair, mas Senna conquistou o tri “no braço”, vencendo o “leão” Nigel Mansell. Foi o ano da despedida de Piquet e da estreia de Schumacher, ambos pela equipe Benetton; 
  • Em 1992 e 1993 só deu Williams, com Mansell e Prost, respectivamente. O francês, que havia parado em 92, assinou no ano seguinte com a Williams, com uma cláusula que impedia a escuderia de contratar Ayrton Senna, que permaneceu na McLaren e ainda venceu cinco provas e foi vice-campeão, mesmo com um carro nitidamente inferior;
  • Em 1994, com Prost aposentado, Senna conseguiu a vaga na Williams, mas as mudanças no regulamento fizeram com que o carro já não predominasse sobre os demais. Ayrton não chegar a marcar um único ponto, abandonando as duas primeiras corridas do campeonato. A terceira seria o fatídico Grande Prêmio de Ímola.
Um dos bons materiais publicados recentemente sobre o tema é uma série de textos publicados pelo jornalista Livio Oricchio, denominada “O que você ainda não sabe sobre a morte de Senna, 20 anos depois” (veja em http://esporte.uol.com.br/f1/ultimas-noticias/2014/04/28/20-anos-sem-senna-cronicas-de-um-heroi-brasileiro.htm).

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