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| Neymar Jr - Capitão de uma nau sem rumo |
A
seleção foi eliminada da Copa América por causa de um clamoroso erro de
arbitragem, certo?
Não
exatamente. Lembremos que no primeiro jogo, o Equador teve um gol legítimo – um
frangaço de Alisson, aliás – anulado pelo juiz.
Se
esses dois erros não tivessem ocorrido, o Brasil estaria eliminado da mesma
forma. Além disso, o Brasil só conseguiu fazer gol no Haiti. E, pior, o Haiti,
que precisa melhorar muito para ser equiparada a algumas equipes de várzea daqui,
só fez gol no Brasil.
Portanto,
esqueçamos a presepada do assoprador de apito. Afinal, temos gols de mão bem
mais relevantes na história, como aquele que levou a França à Copa de 2010, ou
o de Maradona contra a Inglaterra, 24 anos antes.
Vamos
à grande questão do atual momento do futebol brasileiro: a falta de humildade.
Do treinador, dos jogadores, da imprensa, de todos nós, para reconhecermos que
não somos mais o país do futebol, que não temos mais a superioridade de outros
tempos, quando bastava ir pra cima dos adversários e ganhar pelo talento.
Ninguém
aguenta mais falar do vexame para a Alemanha, mas infelizmente precisamos
voltar ao tema. Por mais competentes e efetivos que sejam os germânicos, eles
não ganham de 7x1 de nenhuma seleção minimamente organizada. Fomos pra cima,
com o peso e a obrigação de ganharmos a Copa em casa, e deu no que deu.
Aliada
à falta de humildade, temos a falta de maturidade. Daniel Alves, Marcelo,
Neymar, são grandes talentos, mas parecem eternos adolescentes. Este último, aliás,
adora uma balada, mas carrega inexplicavelmente a tarja de capitão, sabe-se lá
por quê.
Dada
a realidade atual, não podemos nos dar ao luxo de ter um técnico sem bagagem e teimoso
como Dunga, que convoca, por exemplo, Kaká, um grande jogador na sua época... uns
dez anos atrás. Mas o que esperar de uma seleção cuja entidade mandatória tem
um presidente que não pode acompanhar o time em nenhuma viagem, pois coincidentemente
tem sempre um dentista marcado exatamente no dia dos jogos?
De
qualquer forma, não deveríamos estar nessa situação de terra arrasada, passando
um vexame atrás do outro. Ainda temos bons jogadores que atuam nas principais
equipes do mundo, e que colocariam nossa seleção, se bem dirigida, entre as dez
melhores do planeta.
Quem sabe, mudando
algumas coisas básicas, tenhamos a chance de participar da próxima Copa do
Mundo, coisa que, por incrível que pareça, parece ficar cada vez mais distante.
Mas ainda dá tempo pra conseguirmos, quem sabe, uma repescagem...