terça-feira, 17 de julho de 2012

Fazendo a diferença


Final da Libertadores: Corinthians x Boca Juniors. O jogo está difícil e o técnico Tite aquece seu talismã, o badalado Romarinho, que salvar a equipe em La Bobonera uma semana antes.

De repente, Emerson faz dois gols e o jogo se resolve.

Romarinho volta pro banco e o comandante promove, então, três outras alterações. Entram Douglas, Wallace e Liedson. Qual a razão dessa mudança por atacado? Em relação ao jogo em si, ela é praticamente inócua, o título está garantido. O Boca está entregue e parece “contagiado” pela preguiça ancestral do decadente craque Román Riquelme.  

O verdadeiro significado das subsituições é bem mais sutil, e vem da administração: chama-se Gestão de Pessoas. Tite exercitou ali uma de suas maiores qualidades, senão a principal: a preocupação com o grupo, colocando em jogo atletas em baixa na equipe, como uma forma de valorizá-los. Se pudesse, com certeza teria colocado em campo ainda o goleiro Júlio Cesar, ex-titular barrado após o fatídico jogo de quartas-de-final do paulistão, quando entregou o ouro contra a Ponte Preta e foi execrado por todos.

No momento atual do futebol brasileiro, essa preocupação com a motivação, com o equilíbrio do elenco e com o gerenciamento de vaidades é tão ou mais importante do que treinos táticos e técnicos, e é o que vem fazendo Tite se sobressair em relação aos Felipões e Leões da vida, mestres em desqualificar seus pupilos em público.

Esses detalhes têm sido fundamentais para tornar o Corínthians um time vencedor. Mesmo Emerson Sheik, um dos jogadores mais problemáticos do Brasil, não tem dado trabalho ao chefe. Sheik que foi praticamente expulso do Fluminense por brigar com Fred e cantar o “Bonde do Mengão” dentro do ônibus tricolor.

Apesar de todo esse mérito, dificilmente o Corínthians terá fôlego para brigar pelo título brasileiro – que,  pelo andar da carruagem, deve ficar entre Atlético (MG), Fluminense e Internacional – até porque estará com suas atenções voltadas o mundial de clubes. 
Se não aparecer nenhum Mazembe pelo caminho, a lógica aponta para uma final contra o Chelsea, que acaba de se reforçar com o ex-colorado Oscar.  

domingo, 17 de junho de 2012

Hoje não... Hoje sim...


Hoje, na MotoGP, vimos, mais uma vez, um deplorável jogo de equipes, à semelhança do que já é corriqueiro na Fórmula 1.

O espanhol Dani Pedrosa tinha tudo para passar seu companheiro na equipe Repsol/Honda  Casey Stoner, mas ficou comportadinho em terceiro lugar, visto que o australiano é o principal adversário de Jorge Lorenzo, da Yamaha, na luta pelo título da principal categoria do motociclismo mundial.

Nos últimos anos, vimos esse filme várias vezes na Fórmula 1, com Rubinho/Schumacher, Massa/Schumacher, Massa/Alonso e até Nelsinho/Alonso, no episódio mais escabroso, em que o brasileiro jogou seu carro contra o muro para favorecer o espanhol.

Tudo bem que a causa primária dessa subserviência é a clara inferioridade técnica daquele que faz o jogo de equipe em prol do companheiro. No entanto, isso tira a lisura do esporte e mostra que os campeonatos são das máquinas, e não das pessoas.

Em 2010 a Red Bull não fez parte desse jogo. Mark Webber brigava ponto a ponto com Fernando Alonso pelo título mundial, bem à frente de Sebastian Vettel, e a equipe liberou seus pilotos para brigar livremente na pista. Resultado: Vettel superou os dois e levou o título. Não se sabe se a postura da Red Bull foi motivada pela ética ou pela consciência de que Webber não tinha pegada para ser campeão.

Bom, voltando à corrida de hoje, mesmo com a ajuda de Pedrosa, parece difícil que Stoner, no ano de sua aposentadoria, consiga o título mundial, pois Jorge Lorenzo anda atropelando. Já seu companheiro de equipe, o americano Ben Spies... sei não... Tenho a impressão de que até a minha sogra, com aquela máquina, conseguiria melhores resultados...

Para os amantes do esporte a motor, a MotoGP é a categoria mais interessante para se acompanhar. Pena que a briga se restrinja apenas às duas gigantes japonesas, Honda e Yamaha, com a italiana Ducati de coadjuvante. Se tivéssemos o retorno de Suzuki, Kawasaki e BMW, aí sim o bicho ia pegar.

domingo, 10 de junho de 2012

Dura realidade


Argentina 4 x 3 Brasil.

Essa de que os hermanos jogaram com sua seleção principal, e nós não, é uma desculpa parcial. E muita gente nem sabe o porquê. É que eles não estão classificados para os jogos olímpicos.

Bom, mas por que a desculpa é parcial? Porque não temos muito mais do que colocamos em campo. A principal carência era a zaga, mas Thiago Silva e David Luiz só não foram a campo por estarem contundidos.

Então, talvez esse time dê para o gasto em Londres, mas para 2014 teremos que remar muito. Outra constatação: Neymar é um grande jogador, mas para ser tudo o que dizem precisa entender que os zagueiros por aí não são o Ronaldo Angelim ou o Domingos.

Para percebermos a evolução necessária ao futebol brasileiro, basta dar uma olhadinha nos jogos da Eurocopa. Tudo é rápido: a ocupação dos espaços, a bola de pé em pé, a mudança de posições.

O Brasil parou no tempo. E infelizmente não temos, como em outros momentos da história, uma geração com talentos capazes de fazer a diferença. Quem não quiser enxergar isso, pode continuar ouvindo o Galvão Bueno...   

sábado, 26 de maio de 2012

Entressafra


Depois de muito tempo – talvez anos – resolvi assistir a um jogo inteiro da seleção brasileira. Foi Brasil x Dinamarca, nesta manhã de sábado. Não sei se é porque minhas expectativas eram muito ruins, mas me surpreendi com o futebol razoável que o time de Mano Menezes apresentou, pelo menos no primeiro tempo. No segundo voltou ao normal. Horrível. No final, vitória tranqüila por 3x1.

Tudo bem que os escandinavos não são nenhuma potência, mas jogaram com sua seleção principal, enquanto o Brasil tinha uma base olímpica, e ainda assim desfalcada de Neymar, Ganso e Rafael, todos com idade abaixo de 23 anos.

Resumindo, acho que temos alguma chance nas Olimpíadas, até porque é um torneio curto, com apenas dezesseis equipes. Das grandes potências, somente Brasil, Espanha, Grã-Bretanha e Uruguai. Para os desavisados, nessa competição, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Eire competem sob a mesma bandeira.

Os jogos começam em 26 de julho, e o Brasil está no grupo C, ao lado de Egito, Bielorrússia e Nova Zelândia.

Já para 2014, a história é outra. Estamos claramente num período de entressafra, atrás de seleções como Espanha e Alemanha e, na melhor das hipóteses, no mesmo nível de Uruguai, Inglaterra, Argentina, Holanda e outras.     

Uma breve análise da seleção, setor por setor.

Goleiro: a era Júlio César acabou. Jéferson, Diego Alves, Rafael, Vítor e Neto têm sido convocados. Mas não há unanimidade. E ninguém passa a segurança necessária numa posição tão crítica.

Laterais: Maicon sumiu. Dani Alves e Marcelo são os donos das posições, mas precisam baixar a bola. O fato de serem estrelas de Barça e Real, respectivamente, inflou seus egos.  Se um empresário comprar os dois pelo que eles jogam e vender pelo que eles acham que jogam, ficará riquíssimo. Marcelo, aliás, nem é titular absoluto no clube merengue. Não há renovação nessas posições no Brasil.

Zagueiros: Thiago Silva é absoluto. Dedé e David Luiz devem brigar pela outra posição. Ainda tem os aposentáveis Lúcio e Luisão. Esse setor parece não ser problema.

Volantes: Pra mim, os nomes seriam Paulinho e Ramires, mas Mano considera o segundo muito ofensivo, e, se escalá-lo, será como terceiro homem. Ernanes é outro com características ofensivas. Elias é forte na marcação.      

Meias: o assunto sempre começa com PH Ganso. Quando ele surgiu, junto com Neymar, achei que seria o grande nome do futebol brasileiro na década. Mas, além das contusões, falta energia, pegada. Mas o Brasil inteiro ainda aposta suas fichas nele. Lucas e Oscar são as outras esperanças. E ainda esperamos eternamente pelo retorno de Kaká, que anda descansando bastante no banco de reservas do Real. Por favor, não me falem de Ronaldinho Gaúcho!

Atacantes: falar de Neymar é chover no molhado. Pato não decola nunca. Hulk é a grande estrela do Porto. Foi bem contra a Dinamarca. Às vezes lembra o Adriano dos áureos tempos, pelo arranque, disposição e chute potente, embora jogue mais fora da área. Leandro Damião também é outra boa aposta.

No geral, muito pouco para quem quer ganhar uma Copa do Mundo. Mas, dependendo da emissora de TV que você assistir, podemos até nos considerar favoritos...

quarta-feira, 7 de março de 2012

Vôlei de primeira!

Quem gosta de esporte de verdade, pára até pra ver uma pelada no meio da rua, e assiste tudo o que é modalidade. Nunca fui muito fã de vôlei, mas ontem, até pela falta de opções, resolvi assistir Rio de Janeiro x Vôlei Futuro. E não me arrependi. Foi um jogaço, talvez o melhor da Liga Feminina até agora!

De um lado, o líder Rio de Janeiro, do estressado Bernardinho e sua mulher,  Fernanda Venturini. Do outro, o Vôlei Futuro, terceiro colocado, da bela e desbocada Paula Pequeno (todo ponto que a brasiliense marca vem acompanhado de um palavrão...).

O Rio de Janeiro estava invicto havia dezenove jogos, abriu 2x0, mas o time de Araçatuba virou. Boa parte do público não viu o último set, porque no quarto, quando estava 23x20 para as cariocas, muitos torcedores deixaram o ginásio, acreditando que a partida estava decidida.     

Analisando algumas atuações individuais, quase um ano após um grave acidente automobilísitco, a americana Sycora, líbero do Vôlei Futuro, ainda tem dificuldades para retomar a antiga forma, que a levou a ser considerada uma das melhores do mundo na posição. Fernanda Venturini, aos 40 anos, continua arrebentando. Ela poderia voltar a ser, tranquilamente, a levantadora titular da seleção, que já tentou várias outras atletas sem sucesso. O levantamento, aliás, parece ser uma das maiores carências do Vôlei Futuro. Seu treinador alterna Ana Tiemi e Ana Cristina, sem conseguir dar ritmo à equipe. Fernanda Garay, em muitos momentos da partida, é quem leva o time nas costas.

Mais uma rodada e começam os play-offs. Aí sim o bicho vai pegar...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sem encanto

Em mais uma apresentação melancólica, a seleção brasileira ganhou da Bósnia por 2x1, graças a um lance fortuito no finalzinho do jogo, quando o normalmente apático Ganso demonstrou uma disposição surpreendente, levantando-se e batendo com agilidade uma falta sofrida na intermediária adversária. A bola chegou no sempre – e apenas – voluntarioso Hulk, que bateu para o meio da área, encontrando um salvador pé bósnio para botar a bola contra as próprias redes.

Destaques, só negativos. Júlio César – como sempre –, Hernanes, Ronaldinho Gaúcho, Leandro Damião e David Luiz foram os piores de um time medíocre. Este último passou o jogo inteiro perseguindo, sem sucesso, o grandalhão Dzeko, seu adversário na liga inglesa (Chelsea x Manchester City).       

Já faz muito tempo que jogo da seleção não desperta o interesse de outrora. Mas há sempre a esperança – cada vez mais tênue – que nosso futebol resgate a magia vista pela última vez no início dos anos 80, apesar de termos ganho duas copas de lá pra cá.

Atualmente, o Brasil está bem abaixo de seleções como Alemanha e Espanha. Temos alguns grandes jogadores, claro. Ninguém pode negar a categoria de um Neymar ou de um Thiago Silva. Mas ainda é muito pouco para um grupo que daqui a dois anos terá a enorme responsabilidade – quase uma obrigação – de ganhar a copa em casa. Ainda mais com um treinador burocrático como Mano Menezes.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Final Fantástica

O primeiro Grand Slam de 2012 vai mesmo entrar para a história. Sábado, na final feminina, vimos uma acachapante vitória da bielo-russa sobre a bela russa. O primeiro sorriso que Sharapova deu ao longo dessas duas semanas foi na cerimônia de premiação, ao reconhecer a superioridade de Azarenka.
Mas o show estava guardado mesmo para o dia seguinte, na final masculina. Ao longo de quase seis horas de jogo, Rafa e Nole brindaram os amantes do tênis com um jogo inesquecível. Desde o início eu estava com a sensação de que a vitória seria do espanhol, que já não agüenta mais apanhar do sérvio. Djokovic vinha detonado fisicamente, pois a semifinal contra Murray – outro jogo de cinco sets – fora extremamente desgastante. Mas não deu para o touro miúra, numa repetição do que ocorreu ao longo de 2011, quando o sérvio arrancou do terceiro lugar no ranking da ATP para reinar soberano, ganhando quase tudo o que apareceu pela frente.
Apesar de ter sido a final mais longa da história, o jogo parecia que iria durar muito mais, pois o equilíbrio era imenso. O regulamento de três dos quatro torneios de grand slam – exceção para o aberto dos Estados Unidos – determina que não haja tie-break no quinto set, o que pode prolongar indefinidamente uma partida. Esportes que não tenham um tempo definido estão sujeitos a isso, como o vôlei, por exemplo, o que gera um problema quase incontornável para a grade de programação das emissoras de TV, dada a imprevisibilidade que gera distorções como o jogo entre o gigante americano John Isner e o francês Nicolas Mahut – Wimbledon 2010 – que durou intermináveis 11 horas, divididas em três dias de disputa. O set final teve o insólito resultado de 70 x 68 para Isner, ou seja, um set com 138 games. Obviamente, o estado físico de Isner foi o principal responsável pela rápida derrota na segunda rodada do torneio, já no dia seguinte.
Por falar em TV, que espetáculo a transmissão em HD do torneio! Diversas imagens invisíveis à transmissão convencional ganham uma riqueza de detalhes incrível, como as gotas de chuva que começaram a cair durante a final na Austrália ou o pó que saía da bolinha a cada pancada na raquete, sem contar o super-slow mostrando o esforço de cada tenista na busca das bolas mais difíceis... 
Por medida de economia, os torneios masculinos poderiam começar já da semifinal, pois os quatro que sobram são sempre os mesmos. Murray está no ápice de sua forma, por pouco não venceu Djoko, mas parece destinado a eterno coadjuvante num esporte em que as estrelas são Nadal, Djokovic e – por enquanto – Federer. O tenista que mais poderia ameaçar esse quarteto fantástico seria o argentino Del Potro, que inclusive já derrotou o suíço na final do US Open de 2009, mas que de lá pra cá vem sofrendo com seguidas contusões.
Já no feminino, há diversas jogadoras mais ou menos no mesmo nível, dificultando qualquer prognóstico. Meu palpite era que a vencedora sairia do confronto entre Na Li e Clijsters, ainda nas oitavas. A belga acabaria perdendo na semifinal para a campeã Azarenka, num jogo duríssimo. Certeza, só uma: que a então número um, a bela dinamarquesa Wozniacki, há vários meses na liderança do ranking mesmo sem nunca ter vencido um dos quatro maiores torneios, seria campeã.
Para você se programar, os outros três grandes torneios do ano – Roland Garros, Wimbledon e US Open – ocorrerão em maio, junho e agosto, respectivamente.