quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Calvário Tricolor


Rogério x Ney: fogo cruzado


Rogério Ceni, Diego Cavalieri, Ganso, Deco, Jadson, Fred, Luís Fabiano. A maioria dos torcedores gostaria de tê-los nos seus times. Salários milionários, todos já vestiram a camisa da seleção – no caso de Deco, a de Portugal.

Mas esse elenco milionário anda em baixa. São Paulo e Fluminense, grandes clubes, acostumados à parte de cima da tabela do brasileirão – o tricolor paulista por conta de sua reconhecida estrutura e o carioca amparado por um forte patrocinador que há alguns anos injeta milhões de reais no clube – vivem dias difíceis.

O clube do Morumbi está na zona de rebaixamento e o das Laranjeiras não muito longe dali, apenas três pontos fora do temido Z4. Ambos trocaram de técnico recentemente: Abel Braga e Ney Franco não resistiram aos maus resultados e ao péssimo futebol apresentado, e foram substituídos pelos experientes Wanderlei Luxemburgo e Paulo Autuori.

No Morumbi, ídolos outrora intocáveis, como o grande Rogério Ceni, já não são unanimidade. O capitão, aliás, tem travado um constrangedor bate-boca em público com o treinador demitido.  Luís Fabiano é outro na linha de tiro da exigente torcida tricolor.

Pelo Fluminense, torcedores, dirigentes e patrocinadores não aceitam que a equipe seja superada pelo rival Botafogo, com muito menos dinheiro e estrutura, e cujo único nome de peso seja o veterano Clarence Seedorf, de 37 anos. O craque holandês, aliás, é um “quase brasileiro”: é casado com uma brasileira, fala fluentemente nosso idioma e nasceu no Suriname, que faz fronteira com o Pará e o Amapá.

Voltando aos tricolores, os torcedores candangos terão uma única oportunidade de assistir ao vivo a tentativa de recuperação desses dois gigantes do futebol brasileiro: não está prevista nenhuma partida do Fluminense no Mané Garrincha, mas no próximo dia 18 o São Paulo vem a Brasília enfrentar o Flamengo, pela 15ª. rodada da série A. 

Vale à pena conferir.

sábado, 6 de julho de 2013

A Dor de uma Vitória



Sabine: o choro de uma vencedora



A final feminina de Wimbledon 2013 foi uma verdadeira zebra: a francesinha-gênio (175 de QI, mais do que Einstein!) Marion Bartoli contra a bela alemã Sabine Lisicki não estavam entre as favoritas.

Bartoli, vice em 2007, 28 anos e 15ª na WTA, não teve tantas dificuldades para chegar à decisão. Apesar de parecer meio fora de forma, superou com surpreendente tranquilidade suas adversárias – todas com ranking inferior ao seu. Já a alemã, 24ª, não teve vida fácil: eliminou, em sequência, nada menos que Samantha Stosur (14ª), Serena Williams (1ª) e Agnieszka Radwanska (4ª), e por esse retrospecto era considerada favorita.

O que se viu, no entanto, foi o contrário. Lisicki não conseguiu controlar o peso de sua primeira decisão de Grand Slam aos 23 anos, e foi presa fácil para a francesa. Ao final, estava transtornada. Inconsolável, parecia não acreditar que havia perdido. Quase não conseguia pronunciar as palavras na entrevista após a partida. Chorava convulsivamente.

Se Sabine observasse o fato sob outra ótica, quem sabe não estivesse até feliz. Num planeta com mais de sete bilhões de pessoas, no qual mais da metade são mulheres, ela era a segunda naquilo que se propôs a fazer. Ou seja, uma grande vitoriosa. Mas não é assim que as coisas funcionam. Felizmente. Porque dessa forma é que superamos nossos limites, indo cada vez mais longe.

Por motivos diferentes, as lágrimas de Marion e Sabine regaram a grama da quadra central do All England's Club e esceveram mais um capítulo na secular história de Wimbledon. 

Lisicki: Segunda entre bilhões
Bartoli: Gênio!

       

domingo, 30 de junho de 2013

De arrepiar!

Os campeões: Finalmente temos uma base para 2014
Neste domingo o país resgatou o prazer de torcer pela sua seleção. As atuações na Copa das Confederações vinham sendo convincentes, mas ainda restava uma certa desconfiança sobre o poder de fogo da equipe. Até a final contra a Espanha.

O Brasil jogou com autoridade. Há muitos anos não nos sentíamos os melhores do mundo, mas hoje vamos dormir com essa sensação, embora isso não seja necessariamente verdade.

O time ganhou identidade, já podemos dizer que temos uma base. Como muitos críticos, pra mim não é muito fácil reconhecer os avanços do nosso escrete. Afinal, de um jeito ou de outro, aquela camisa amarela, de tantas glórias passadas, está inexoravelmente associada aos desmandos da CBF, do Sr. Ricardo Teixeira e do seu sucessor, o não menos detestado José Maria Marín.

Felipão, com seu mau-humor irritante, há muito não inspira confiança - que o digam os sofridos torcedores do rebaixado Palmeiras. Nosso maior astro não fazia jus à fama que o precedia. Não tínhamos goleiro, a zaga não era de confiança, não tínhamos um meio campo à altura da nossa história...

De repente, as peças encaixaram. Júlio César renasceu; Thiago Silva e David Luiz tomaram conta da defesa; Marcelo criou juízo; Paulinho e Luiz Gustavo deram equilíbrio e segurança no meio, proporcionando uma conexão entre defesa e ataque que parecia não mais existir no futebol brasileiro; Fred mostrou que é o cara do ataque; Hulk exerceu importante papel tático; e o principal... Finalmente, apareceu o futebol do menino-gênio. Neymar mostrou seu cartão de visitas ao mundo.

Depois deste 30 de junho, o novo atacante do Barcelona começou a consolidar seu nome definitivamente na história contemporânea do futebol.

Mudamos da água pro vinho. Foram incontestáveis 3 a 0 na grande Espanha, o “Brasil dos tempos modernos”, a grande força do futebol desta década.   

A partir de hoje, o Brasil certamente estará em todas as listas de favoritos para 2014. Não o grande favorito, mas estamos na briga.

Ainda falta um ano para o mundial, muita coisa pode mudar até lá. E uma coisa preocupa: Felipão praticamente já tem um time na cabeça para a Copa do Mundo. E é esse que venceu a Copa das Confederações. O problema é que ainda faltam muitos meses até lá. E quem está bem hoje, não necessariamente estará bem amanhã. Na Copa de 2010 padecemos desse mal. Grafite, Julio Baptista, Josué e outros garantiram vaga cedo demais, e chegaram claudicantes à África do Sul.

Por enquanto, vamos aproveitar o momento. Escutar 70 mil vozes no Maracanã entoando “ôôô, o campeão voltou” foi de arrepiar!

Do lado de fora, as manifestações prosseguiram, retrato de um Brasil de contrastes.

Maracanã: dentro, só festa; fora, protestos 

domingo, 9 de junho de 2013

Sem Ilusões

Oscar fez o primeiro gol, em lance questionado pelos franceses
Depois de quatro longos anos, o Brasil, até que enfim, venceu uma seleção campeã mundial. Dentre os detentores dessa honraria, a França, derrotada por 3x0 neste domingo em Porto Alegre é, juntamente com o Uruguai e possivelmente o próprio Brasil, a mais fraca.

Sim, não nos iludamos. Apesar do ufanismo dos Galvões, Ronaldos e Casagrandes, há muito que deixamos de ser aquela constelação de craques, e o timaço a ser batido no futebol mundial.

Quem não lembra dos tempos em que jogo da canarinha era um programa imperdível, marcado na agenda, e ai de quem marcasse alguma coisa para aquele horário? Hoje, qualquer videogame, cinema, boliche no Shopping, aniversário daquele parente distante, ou mesmo uma soneca depois do churrascão de domingo pode ser justificativa pra não ver a seleção do Felipão.

O Maracanã será palco da final da Copa das Confederações
Não que nosso talento tenha acabado. O problema é que paramos no tempo. O futebol evoluiu, no aspecto tático e, principalmente, físico. E pra fazer a diferença hoje em dia, além de ser um fora de série, tem que ser um cara focado, disciplinado, sem outra preocupação que não seja treinar e jogar. 

Esse cara hoje – e já há alguns anos – infelizmente não é brasileiro, e se chama Lionel Messi. Como dizem nossos amigos Hermanos, “Messi é, sem dúvida, o melhor do mundo, e um dos melhores da Argentina”.

Olhando para o Brasil, quem seria, hoje, uma unanimidade como titular? Possivelmente dois, muito mais pelo nome do que propriamente pelo que vêm jogando: Thiago Silva e Neymar. Nem mesmo Felipão teria coragem de tirar um deles do time.

Mas dentro de campo, quem tem demonstrado alguma efetividade é um meia-atacante que, não por acaso, demonstra mais preocupação em jogar do que com o penteado que vai usar na próxima partida: Oscar.

O ex-colorado começou a aparecer na seleção exatamente quando a grande esperança de talento no meio-campo do Brasil sumiu: o então santista e atual são-paulino Paulo Henrique Ganso.

Além da seca de jogadores, o comando técnico também não enche os olhos: Felipão nunca foi um grande estrategista. Seu grande mérito sempre foi a capacidade de impor disciplina e manter o grupo fechado em torno de um objetivo. Foi daí que surgiu a grande marca de sua passagem anterior pelo Brasil: “a família Scolari”.

O aperitivo para a Copa do Mundo vem aí: a Copa das Confederações começa já no próximo sábado, 15/06, com Brasil x Japão, em Brasília. 

Além de grandes seleções, é a oportunidade de ver também os belos – e caros – estádios que estão sendo finalizados para o ano que vem.

Oito equipes participam da edição deste ano
O torneio tem apenas oito equipes, forças como Argentina e Alemanha não estarão presentes e a Espanha já não é mais o bicho-papão dos últimos anos.       

Portanto, dá pra brigar pelo título. Mas, pelo que nossa seleção vem jogando, não será fácil. A final será no dia 30 de junho, no Maracanã.

domingo, 26 de maio de 2013

Hora de Renovar!

Magnano (E) & Hernandez – Técnicos argentinos dão as cartas por aqui
Na última terça, dia 21, o argentino Ruben Magnano, técnico da seleção brasileira adulta de basquete, anunciou a convocação de uma seleção de novos (até 24 anos), para um período de três semanas de treinamento, além da participação em um torneio na França, no início de julho.

A lista é composta de atletas que disputaram o NBB e a LDB (Liga de Desenvolvimento, até 22 anos), além de alguns nomes que atuam no exterior. O argentino pensa longe, e seu objetivo não é somente a seleção, mas um investimento no futuro dos jovens talentos em formação.

Estarão presentes craques como Benite (armador, 22 anos, Flamengo), Gui Deodato (ala, 21 anos, Bauru) e Jimmy (ala, 23 anos, Basquete Cearense). Mas Magnano não esqueceu de duas estrelas candangas em ascensão: o ala Isaac (22 anos, 1,92m) e o pivô Ronald Reis (21 anos, 2,09m), do Uniceub/BRB/Brasília.
Isaac (E) & Ronald – Jovens talentos do Brasília a serviço da seleção brasileira
E por falar em Brasília, o tricampeão da NBB, quinto colocado na última edição, está de técnico novo. José Carlos Vidal, agora diretor esportivo, deu lugar ao campeoníssimo Sergio Hernandez, tricampeão argentino pelo Peñarol, de Mar del Plata.  
Hernandez foi uma contratação de peso, e seu primeiro desafio será a remontagem do elenco para a próxima temporada. Algumas peças certamente serão trocadas. Ele tem carta branca para manter e trazer quem quiser, mas sabe que a torcida lobo-guará é exigente, acostumada a títulos e anda insatisfeita com os últimos resultados da equipe.
Enquanto o Brasília vive um momento de renovação, Flamengo e Uberlândia se preparam para a grande decisão do NBB no próximo sábado, às 10 horas, no Rio de Janeiro. A torcida rubronegra na capital federal é imensa, mas, até pela rivalidade, tem muito brasiliense do lado dos mineiros. 
Vale a pena conferir!

sábado, 11 de maio de 2013

Não deu, Brasília...


Nezinho: um dos poucos poupados das críticas no melancólico final de temporada do Brasília
Foram três anos de domínio total no basquete nacional. Por isso, o quinto lugar no NBB 2013 soa como uma derrota para o UniCeub/BRB/Brasília, melancolicamente eliminado nesta quinta-feira, pelas quartas de final da competição, na quinta partida da série contra o vice-campeão do ano passado, o São José.

Embora Brasília e Flamengo tenham se destacado na primeira fase, várias equipes mostraram ter força e elenco para brigar pelo título. Tanto é que somente os rubronegros “nadaram de braçada” nas quartas, fazendo 3x0 no Paulistano, ainda assim com jogos bem equilibrados. Nos outros três confrontos, foram necessárias cinco partidas para definir os semifinalistas.

O Pinheiros, campeão da Liga das Américas, em recente Final Four disputado em Porto Rico – competição na qual os candangos chegaram em quarto – caiu no triângulo mineiro diante do Uberlândia, 3x2.

Mesmo destino de Brasília e Franca, este último derrotado pelo Bauru, do “alienígena” Larry Taylor.

Assim, os confrontos da próxima fase estã definidos, com Flamengo x São José e Uberlândia x Bauru. Promessa de mais equilíbrio.

Fora da briga, os brasilienses buscam uma explicação para a sensível queda de produção ocorrida a partir da derrota para o Pinheiros, na 31a. Rodada, no final de março. Até então, os candangos vinham embalados por uma série invicta de 16 jogos, e eram o time a ser batido. A partir daí, foram várias atuações iirregulares, que culminaram com a eliminação nas duas principais competições do ano.

O técnico José Carlos Vidal tem sido o principal alvo das críticas. O quarteto Nezinho, Alex, Guilherme e Arthur segue intocável. Mas o pivô Paulão Prestes, a grande contratação da temporada, que chegou com status de astro da NBA, decepcionou. Além disso, o banco não está à altura dos titulares. Vidal mexe mal no time, insistindo, por exemplo, em Márcio Cipriano e Éric Tatu. O jovem prata-da-casa Ronald Reis, ala-pivô de grande futuro, foi pouco acionado, assim como o armador Isaac.

Para 2014, o Brasília precisa se reinventar. Sua exigente torcida se acostumou com vitórias e títulos e quer ver seu time novamente no topo, para que a cidade volte a ser a capital do basquete!

Paulão, Vidal e Tatu: o treinador e as novas contratações decepcionaram a torcida






terça-feira, 16 de abril de 2013

O Esporte em Segundo Plano



A morte do garoto boliviano Kevin Beltrán, atingido por um sinalizador durante um jogo do Corínthians pela Libertadores, há quase dois meses, até hoje repercute na mídia.

No último domingo, em Fortaleza, minutos antes do clássico Fortaleza x Ceará no belíssimo Castelão, primeiro estádio pronto para a Copa de 2014, dois mortos em mais uma estúpida briga de torcidas.

Nesta segunda, três vítimas fatais e 144 feridos em duas explosões durante a chegada da Maratona de Boston, uma das mais famosas do mundo. As consequências poderiam ter sido ainda maiores, pois uma outra bomba explodiu na biblioteca do Museu Kennedy e outras duas foram desarmadas pela polícia local. O incidente ultrapassou a esfera esportiva e tornou-se um assunto de segurança nacional para o presidente Barack Obama, criando-se no país um clima semelhante ao de onze anos atrás, após os atentados às torres gêmeas, em 2001.

Seja por questões políticas, religiosas, étnicas, irresponsabilidade do poder público ou apenas violência pura e simples, há momentos em em que o esporte é o que menos importa.

Em 1972, nas Olimpíadas de Munique, onze atletas israelenses foram assassinados por terroristas palestinos, no episódio conhecido como Setembro Negro.

Há um mês, a justiça egípcia julgou os responsáveis pela tragédia no estádio Port Said, que vitimou setenta e duas pessoas, um ano antes. Vinte e um foram condenados à morte por enforcamento e dezenove a prisão perpétua. O resultado causou uma onda de protestos e violência na capital Cairo, causando mais mortes.

A banalização da violência não é exclusividade do esporte, mas uma preocupação cada vez mais presente na sociedade atual.

No momento em que o Brasil se prepara para sediar os dois maiores eventos esportivos do planeta nos próximos anos – a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – faz-se necessário, mais do que nunca, uma atenção especial à segurança, para que o Brasil seja destaque apenas nas páginas esportivas.