domingo, 23 de dezembro de 2012

Basquete Cabeção



Esses dias, conversando com o talentoso ala/pivô Ronald Reis, do UniCeub/BRB/Brasília, brinquei dizendo que sua equipe teria muito trabalho com o “calouro” do NBB 2012/2013, o Sky/Basquete Cearense. Ele perguntou por que, e riu bastante ao perceber que eu estava apenas tirando uma onda com meus conterrâneos:

- Já pensou, aquele monte de cabeção espalhado pela quadra? Será uma dureza arrumar algum espaço... 

Brincadeiras à parte, fiquei curioso com essa novidade. Afinal, a tradição do fortalezense nunca foi o basquete, e sim o futsal (quem não se recorda do Sumov, várias vezes campeão brasileiro e sulamericano nas décadas de 1970 e 1980?) e o vôlei de praia. 

Franco Neto/Roberto Lopes foram os primeiros campeões mundiais, ainda na década de 1990. Uma das melhores duplas femininas da história, Juliana/Larissa, sempre competiu pelo Ceará (as duas se separaram há poucos dias), apesar de nenhuma ter nascido no estado.  


Mas voltemos ao basquete. O Sky/Basquete Cearense (semelhante ao vôlei, há aquela chatice de batizar os times com nome e "sobrenome", o patrocinador mais uma denominação "genérica") tem apenas alguns meses de fundação. De cearense mesmo, praticamente só o escudo, estiloso e de muito bom gosto. Observe a composição da bola de basquete com a jangada - sempre ela - no mar.  

Quem está à frente do projeto é o Alberto Bial (irmão do “mala” do Big Brother), que passou vários anos no Joinville e veio para estruturar o clube e formar o elenco para a liga deste ano.


Ou seja, na prática, o time é basicamente “estrangeiro”. A base são jogadores oriundos do interior paulista, o grande provedor de talentos do nosso basquete. Recentemente, chegaram dois gringos, daqueles ciganos que trocam de país todo ano.


Primeiro veio o ala/pivô sérvio Radovan Dragovic, que já rodou por equipes cipriotas, romenas, sírias, sérvias e líbias. Na sequência, foi a vez do americano Robinson Jr, ex-NBA, que também já atuou na Argentina e na República Dominicana.


O elenco conta ainda com vários nomes experientes, como o ala Rogério Klafke, 41 anos, ex-seleção brasileira, Felipe, Drudi, dentre outros.


Vou conferir ao vivo os dois confrontos entre Brasília x Basquete Cearense pelo NBB, o primeiro dia 15 de janeiro próximo, na ASCEB; o jogo de volta em 5 de fevereiro, no tradicional ginásio Paulo Sarasate. Os dois estão em situação intermediária na tabela: o CEUB é o sétimo e Sky o nono.


 O campeonato deste ano está muito parelho. Pelo menos uns dez times se equivalem. Os favoritos são paulistas, mineiros e, claro, Flamengo e Brasília, a maior rivalidade do basquete brasileiro nos últimos cinco anos. O rubro-negro, após sete jogos, é o único invicto, e o Brasília ainda é a base da seleção brasileira.

Mas vamos ver o que o caçula cabeçudo pode aprontar...








sábado, 1 de dezembro de 2012

Game Over



Neste domingo o Brasileirão se despede. A Unimed... ops, quer dizer... o Fluminense é o grande campeão!

O título é incontestável, mas, pra quem tem determinado plano de saúde, é bom não esquecer que é você que está bancando os salários astronômicos do Fred, Deco, Thiago Neves...

A fórmula dos pontos corridos é, indiscutivelmente, a mais justa, mas bem que poderia ter um plus: caso dois times terminassem empatados em pontos, teríamos um jogo extra, à semelhança do que ocorre em outros países. Com isso resgataríamos a emoção das grandes finais.
 
O jogo-extra seria em campo neutro ou, melhor ainda, na casa do clube que tivesse o melhor retrospecto nos critérios atuais (número de vitórias, saldo de gols, confronto direto, etc).

Foi numa final que ocorreu o recorde de público da história do brasileirão: Flamengo e Santos levaram mais de 155 mil pessoas ao Maracanã em 1983.

Por falar nisso, vamos falar de alguns recordes do torneio ao longo da história.

O contraponto à final de 1983 em termos de público foi a “multidão” de 155 heróis que assistiram a um Juventude x Portuguesa, em 1997.

Essa vai alegrar meu amigo Julião. Quando o assunto é artilharia, só dá Vascão! Senão vejamos:

- Mais gols em um único jogo: Edmundo fez todos, no 6x0 sobre o União São João de Araras (SP), em 1997;

- Maior quantidade de artilheiros (apenas de 1971 pra cá): oito, com Paulinho, Edmundo, Bebeto, Dinamite (2) e Romário (3).

- O mais jovem e o mais velho goleadores também são cruzmaltinos: Dinamite (20 anos) e Romário (39).

- O Gigante da Colina é ainda o único clube a ter os dois principais goleadores em uma mesma edição: Dinamite e Arturzinho, com 16 e 14 gols, respectivamente, em 1984.

- Roberto “Eurico” Dinamite ainda coleciona mais um feito: 190 gols apenas em brasileiros, nas décadas de 70, 80 e 90, considerados aí alguns golzinhos pela Portuguesa, em 1989.

Outros números:

A maior goleada foi Corinthians (SP) 10 x 1 Tiradentes (PI).

Se formos buscar os campeonatos anteriores a 1971, vamos encontrar dois recordes cearenses:

Em 1962, o Ceará venceu o Ríver (PI) por 7x5, no jogo com a maior quantidade de gols da história dos campeonatos brasileiros.

Já o meu tricolor também não podia ficar de fora: em 1960, na decisão da Taça Brasil, protagonizou a maior goleada em finais. E olha que perdemos para um time de segunda divisão!

O jogo foi Palmeiras 8x2 Fortaleza... ai ai ai...





segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Goleadas !!!



Pesquisadores franceses declararam recentemente que 99% dos recordes mundiais já foram batidos, e que o ser humano está próximo do seu limite.

Hoje vamos falar de recordes, mas o jamaicano voador Usain Bolt vai ficar de fora, pois o tema é esportes coletivos.

 


Futebol: 149x0! Handebol: 86x2! Tênis: 70x68!


Você duvida desses placares? Pois acredite! Eles existiram!

Após 11h05, John Isner acertou uma paralela, quebrou o saque de Nicolas Mahut e fechou o 183º game. Isso foi em junho de 2010. Terminava ali a partida mais longa da história do tênis. 

O gigante americano ganhou do francês por 3 a 2, com 70/68 no quinto set. A partida começara dois dias antes, válida pela primeira rodada de Winbledom, onde não existe tie-brake no quinto set. Quando estava 50/50, até o placar deu pane. Era uma maluquice total. Com 58/57, somente esse set já superara as 6h33m da partida mais demorada da história até então, entre os franceses Santoro e Clement, em Roland Garros 2004. 
 
Não foram contadas quantas bananas o vencedor comeu durante a apartida. Mas foram dezenas. Isner, 2,06m, 25 anos, teve que jogar novamente já no dia seguinte, sendo eliminado com facilidade pelo holandês Thiemo De Bakker. Mas já tinha entrado pra história...

No basquete, a partida com maior placar de que se tem notícia é a vitória do Detroit Pistons sobre o Denver Nuggets por 186 x 184, na NBA de 1983.

No futsal, o Brasil aplicou uma sonora goleada de 76x0 no Timor.

No handebol, em 1982, a seleção russa bateu o Afeganistão por 86x2.

No vôlei, o jogo mais demorado do mundo foi a decisão das Olimpíadas de 1976, onde Polônia e União Soviética jogaram por 4 horas e 36 minutos, com parciais de 1x15, 15x13, 12x15, 19x17 e 15x7. Não são números elásticos. A questão é que, na época, a regra era outra, e o time só pontuava se tivesse sacado.

E no futebol?

Por muito tempo, o recorde de placar mais elástico pertencia a um amistoso interestadual entre dois times pequenos, o Pouso Alegre (MG) e o Beta (SP).

O ano era 1968. Com 10 minutos de jogo, já estava 6x0. O primeiro tempo acabou 17x0. Fim  de jogo, 38x0 para os mineiros.

Mas eis que, em outubro de 2002, um clássico malgaxe (de Madagáscar, na África) teve um desenrolar insólito. Adema e SOE se enfrentaram pelo quadrangular final do campeonato nacional. No entanto, o SOE não tinha mais chances de título, pois havia empatado na rodada anterior, em razão de uma péssima arbitragem.

Revoltado, o técnico Ratsimandresy Ratsarazaka (também, com um nome desse...) informou que algo aconteceria na rodada seguinte.

No jogo contra o Adema, sob o olhar atônito dos adversários e da torcida presente, os jogadores do SOE “desembestaram” a fazer gols contra, um atrás do outro. Alguns notíciaram que o Adema não tocou na bola uma única vez, o que seria impossível, pois, no mínimo, eles tiveram que bater o centro, no primeiro ou no segundo tempo. 

Resultado: Adema inacreditáveis 149x0 no SOE, com 149 gols contra!

Revoltados, os torcedores exigiram a devolução dos ingressos e o SOE foi excluído de torneios nacionais por dez anos. 


Ah se a moda pega...

domingo, 18 de novembro de 2012

Manés, mafiosos, porcos, gansos e outros bichos

Resumo do fim-de-semana. 

UFC

A foto ao lado mostra o grande vencedor da noite de ontem no Canadá, o lutador da casa, Georges St-Pierre. Ele é o cara que ganhou. Preciso dizer mais alguma coisa?

Futsal

Brasil campeão, 3x2 na Espanha, que estava invicta há vários anos. O mineiro Neto foi eleito o melhor jogador do mundial. Show! Falcão falou que não foi ele o MVP porque quase não jogou. Bobagem. Há muito tempo que ele fica só fazendo marketing, mas jogar que é bom...

Fórmula 1

Hamilton ganhou nos Estados Unidos. O campeonato vai ser decidido mesmo no Brasil. Mais uma vez, decisões que nos fazem questionar se a F1 é um esporte ou apenas um negócio. Ferrari mexeu deliberadamente no câmbio do carro do fiel escudeiro Massa pra que Alonso mudasse de posição no grid. Mais do que ganhar uma posição, o importante foi o espanhol passar para o lado limpo da pista. Mas o príncipe das Astúrias (3º na corrida e vice-líder do campeonato) demonstrou sua costumeira falta de educação ao ignorar seu adversário Vettel (2º e ainda líder, com 13 pontos à frente) ao final da corrida. 


Tênis

Você reconheceu os dois cabeludos ao lado? Pois são o Guga e o Djokovic, de peruca. Em um jogo-exibição, o Manezim da Ilha ganhou e mostrou que ainda joga muito! Obviamente a história seria outra se o jogo valesse alguma coisa. Mas valeu demais ver esse encontro de gerações. E o sérvio, novamente número 1 do mundo, deu um show de simpatia!

Valendo título, a República Tcheca foi campeã da Davis. Stepanek é o novo herói nacional, principalmente depois de voar como um goleiro para devolver uma bola no quarto set do quinto e decisivo jogo contra o Almagro. 

É interessante comparar o ranking dos jogadores que representam cada país na final. Na Espanha, como Nadal (4) não pôde jogar, os representantes foram Ferrer (5) e Almagro (11). Pelos tchecos, Berdych (6) e Stepanek (37), que também jogaram duplas.

Futebol

Na Europa, o decadente Milan segue sem vencer, mas o destaque foi a fúria do dirigente Galliani ao disparar contra o Abbiati, aquele goleiro que pôs o Dida na reserva. Um dos adjetivos mais educados que o careca com cara de mafioso utilizou foi “Goleiro de merda”.

Dunga volta a afirmar que a seleção de 94 era melhor que a de 82 – dirigida por Telê e cujo meio-campo era formado “apenas” por Falcão, Cerezo, Zico e Sócrates. Taí um cara que sabe tudo de futebol...

No brasileirão, com tudo praticamente decidido, uma rodada chatíssima. Destaque apenas o São Paulo, com Lucas e Ganso. Dois baitas jogadores, mas um está se despedindo, e o outro precisa voltar ao que era no início da carreira (quando até se discutia quem seria o melhor, Neymar ou Ganso). Vamos ver no que vai dar esse entra-e-sai, pois há anos o tricolor deixou de ser aquele clube vencedor de outras épocas.

Ah, tem o sofrimento do Porco, claro. Bem que o pirata argentino merecia melhores companheiros...

domingo, 11 de novembro de 2012

Kirchner e a MotoGP


Hoje volto a falar de um esporte de velocidade apaixonante, muito mais interessante do que a Fórmula 1: a MotoGP. Em 2012, a emoção só não foi maior porque a disputa em sua categoria principal se resumiu a três pilotos/equipamentos: Jorge Lorenzo e sua Yamaha 99 enfrentando dupla Pedrosa/Stoner da equipe Honda. 
  
Este ano o espanhol da Yamaha levou o título, por dois motivos:

- Seu principal concorrente, o australiano Casey Stoner (campeão de 2011) ficou boa parte do campeonato no estaleiro;

- Já o conterrâneo Dani “Medrosa” até que fez uma boa temporada, mas, como sempre, pipocou no momento decisivo.

Lorenzo, mesmo sem a moto mais veloz, conseguiu a incrível façanha de ser primeiro ou segundo em dezesseis das dezoito provas do calendário. Nas duas restantes, dois acidentes, provocados por barbeiradas dos adversários. 

No fechamento do campeonato, neste domingo, 11/novembro, em Valência (ESP), um tombo espetacular, mostrando que o campeão do mundo também é bom de queda. Ele, literalmente, saiu voando da moto, e conseguiu aterrissar sem um arranhão.

No encerramento da temporada, o espanhol mostrou ainda ser o melhor também em estratégia. Foi só a comissão organizadora da prova anunciar “wet race” – corrida em pista molhada – Lorenzo ousou, colocando pneus slick, para pista seca, e se deu bem. Seus adversários fizeram isso já com a corrida em andamento, lembrando que, na MotoGP, o piloto entra nos boxes e troca de moto, e não apenas de pneus.

Para 2013, a emoção deve aumentar e a disputa ser feroz entre Lorenzo, Valentino “The Doctor” Rossi (de volta à Yamaha, agora como segundo piloto), Pedrosa e o “monstro” da Moto2, Marc Márquez, que sobe de categoria - e já na melhor equipe - em substituição ao aposentado ex-campeão Stoner.

Márquez, aliás, o campeão da “segunda divisão”, deu show em Valência, largando em último, ultrapassando 33 adversários (começando pelo brasileiro Éric “Barrichello” Granado, de 16 anos) para vencer a prova.

A equipe de Márquez (tanto a atual como a do ano que vem) tem a Repsol como principal patrocinadora. A petrolífera espanhola, aliás, protagoniza uma queda de braço em 2013.

A única prova do calendário marcada para a América do Sul seria em Buenos Aires, em função dos interesses comerciais da Repsol. No entanto, em mais uma lambança da senhora Kirchner, o governo argentino tomou de volta a YPF, uma espécie de Petrobrás de lá, privatizada há alguns anos e adquirida exatamente pela Repsol.

Cá entre nós, duvido muito que o GP de Buenos Aires se realize. Quem sabe não sobra para o Brasil...


sábado, 10 de novembro de 2012

Novas (e bombásticas) previsões


Em primeira mão, Mãe Dinah Camelo volta à cena e vaticina: não haverá uma final Corínthians x Chelsea no mundial de clubes de dezembro, mas por um motivo jamais cogitado. O Chelsea será eliminado pelo Monterrey!

Aliás, o clube mexicano também vai atropelar o Corínthians na decisão, e teremos um fato inédito: o campeão mundial não será europeu nem sulamericano. 

Outras previsões:
  • Na Stock Car de Brasília, neste domingo, Rubinho vai largar no pelotão da frente, mas vai se enroscar e bater. Dificilmente será com Cacá Bueno, mas, se for, vai ser divertido ver as explicações do papai Galvão...
  • São Paulo perde de 1x0 para o Grêmio, com um frango do vovô Rogério Ceni
  • Flamengo vai ser goleado pelo Náutico
  • Galo não vence o Vasco e dá adeus ao título. Os cruzmaltinos são mestres em jogar bem depois de ficar sem treinador
  • Fortaleza conquista o título da série C
    • E uma última bombástica revelação: Adriano não joga mais em 2012 (grande coisa!), mas transfere-se para o Palmeiras, onde disputará o Paulistão, a Libertadores e a Série B em 2013, e, quem sabe, a série C em 2014...
    Bem... se ele consegue entrar em campo... aí é outra história...



    sábado, 3 de novembro de 2012

    Do Pajeú para o Mundo


    Há mais de vinte anos, morei em Flores (PE). 

    Sempre que podia, ia ao "estádio" local bater uma bolinha no final das tardes. Na sequência, o dominó e a cervejinha eram sagrados. Cheguei a jogar na seleção da cidade, mais pelo meu trabalho no banco e pelos muitos amigos que conquistei do que propriamente pelo talento, porque nunca fui lá essas coisas. 

    O craque do pedaço era meu amigo Fernando Cajuína, um zagueirão que, além de bom de bola, também “espanava” quando era preciso.

    Cajuína tinha um irmão adolescente que pegava no gol. Ney até que agarrava bem, mas, ainda muito jovem,  não chegava a se destacar entre os peladeiros da pequena e histórica cidade do sertão pernambucano.

    Pois bem, o garoto arrumou as malas, mudou-se pra capital e foi à luta. Ingressou nas categorias de base do Náutico, se profissionalizou e ganhou o mundo.

    Ney Fábio já rodou bastante. Além do clube timbu, atuou pelo Moto Clube (MA), Vila Nova (GO), Gama (DF), Atlético (GO), CENE(MS) e Canoas (RS), dentre outros.

    O goleirão florense ainda atuou no exterior, pelos portugueses União da Madeira e Santa Clara.

    No auge da carreira, Ney Fábio chegou a ser apelidado de “barreira humana”, e jogou a última temporada no futebol potiguar.

    Reencontrei-o esses dias, no Facebook. Prestes a completar 36 anos, o jogador nem pensa em parar, e aguarda definição sobre seu próximo clube para 2013.

    Boa sorte, Ney! Estamos torcendo por você!